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Transtorno do Jogo · CID-11 6C50

Tratamento para ludopatia: quando apostar deixou de ser escolha

O transtorno do jogo é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como uma condição de saúde — e tem tratamento com eficácia comprovada. Orientamos você sobre os caminhos e indicamos serviços especializados. Sem custo e com sigilo.

O Grupo Vida orienta pessoas e famílias sobre o transtorno do jogo e faz a ponte com serviços especializados no tratamento. O atendimento clínico é realizado pelos profissionais e serviços indicados.

O que é o transtorno do jogo

O transtorno do jogo — também chamado de ludopatia ou jogo patológico — está classificado na CID-11 sob o código 6C50 e é reconhecido pelo DSM-5 como um transtorno aditivo comportamental. Foi a primeira condição sem substância a receber essa classificação.

Isso não é um detalhe técnico. Significa que o padrão observado no cérebro de quem desenvolve o quadro se aproxima do observado em outros transtornos aditivos: o circuito de recompensa passa a responder de forma alterada, a tolerância aumenta — é preciso apostar mais para sentir o mesmo — e o controle sobre o comportamento se reduz progressivamente.

A consequência prática é que cobrança não resolve. "Basta parar" é um conselho tão eficaz quanto pedir a alguém com depressão que se anime. O que funciona é tratamento estruturado.

Por que o quadro se agravou nos últimos anos

Três características das apostas on-line aceleram o desenvolvimento do transtorno em comparação com o jogo presencial:

Some-se a isso a facilidade de obter crédito, e o endividamento costuma anteceder em muito o pedido de ajuda.

Sinais de alerta

Baseados nos critérios diagnósticos do DSM-5. A presença de vários deles ao longo de doze meses indica necessidade de avaliação profissional.

1Precisa apostar quantias cada vez maiores para sentir a mesma excitação
2Fica inquieto ou irritado ao tentar reduzir ou parar de apostar
3Já fez tentativas repetidas e malsucedidas de controlar ou interromper
4Pensa em apostas com frequência: revive apostas passadas, planeja as próximas
5Aposta quando se sente angustiado, ansioso, culpado ou para baixo
6Volta a apostar no dia seguinte para tentar recuperar o que perdeu
7Mente para familiares e amigos sobre o quanto está envolvido
8Colocou em risco relação afetiva, emprego, estudo ou oportunidade de carreira
9Recorre a terceiros para cobrir dívidas geradas pelas apostas
Esta lista tem finalidade orientativa e não constitui diagnóstico. O diagnóstico do transtorno do jogo só pode ser feito por profissional de saúde habilitado, em avaliação individual.

Como funciona o tratamento

O transtorno do jogo é tratado predominantemente em regime ambulatorial. Na maior parte dos casos, não há necessidade de afastamento de casa.

Primeiro contato e orientação

Conversa sem custo e com sigilo para entender o histórico, o padrão de apostas e a situação financeira. A partir disso, indicamos o serviço especializado mais adequado ao caso — ou o caminho gratuito, quando for a melhor opção.

Terapia cognitivo-comportamental

Abordagem com maior respaldo científico para o transtorno do jogo. Trabalha as distorções típicas do quadro — a crença de que é possível "recuperar o prejuízo", a ilusão de controle sobre o resultado, a leitura equivocada de sequências — e constrói estratégias concretas de enfrentamento.

Acompanhamento psiquiátrico, quando indicado

Nem todo caso exige medicação. Quando há sintomas de depressão, ansiedade ou dificuldade de controle de impulsos associados, a avaliação psiquiátrica passa a integrar o plano.

Reorganização financeira

Etapa frequentemente ignorada e decisiva. Envolve mapear as dívidas, definir medidas práticas de proteção — como limitação de acesso a crédito e autoexclusão nas plataformas — e reconstruir o orçamento com participação de alguém de confiança.

Participação da família

O transtorno do jogo atinge diretamente a confiança e o orçamento do núcleo familiar. As sessões com a família tratam tanto do apoio ao tratamento quanto da reconstrução dessa relação.

Prevenção à recaída

Identificação dos gatilhos individuais — dias de jogo, recebimento de salário, notificações de aplicativos, situações de estresse — e construção de um plano combinado para cada um deles.

Perguntas frequentes

Sim. O transtorno do jogo está classificado na CID-11 sob o código 6C50 e é reconhecido pelo DSM-5 como um transtorno aditivo comportamental. Não é falta de força de vontade nem má administração financeira: envolve alterações nos circuitos cerebrais de recompensa.
Na maioria dos casos, não. O tratamento do transtorno do jogo é predominantemente ambulatorial, com psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico quando indicado e apoio na reorganização financeira. A indicação é sempre individual e definida em avaliação clínica.
Varia conforme a gravidade do quadro, o tempo de envolvimento e a presença de outras condições associadas. Programas de terapia cognitivo-comportamental para transtorno do jogo costumam se estruturar em ciclos de alguns meses, com reavaliação periódica. Não existe prazo fixo — e desconfie de quem prometer um.
Sim, e costuma ser determinante. O transtorno do jogo afeta diretamente o orçamento familiar e a confiança dentro de casa. A participação da família na reorganização financeira e no processo terapêutico é parte reconhecida do tratamento.
Sim. Os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) do SUS atendem transtornos aditivos, incluindo o transtorno do jogo, gratuitamente — procure a UBS mais próxima para saber qual é o serviço de referência do seu município. O grupo Jogadores Anônimos (JA) também é gratuito, com reuniões presenciais e on-line.
Sim. As informações compartilhadas na conversa de orientação são tratadas com sigilo. Você pode pedir a exclusão dos seus dados a qualquer momento.
Nós orientamos sobre o transtorno do jogo e indicamos os serviços especializados mais adequados a cada caso. O atendimento clínico — psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico — é conduzido pelos profissionais e serviços indicados, que possuem registro nos respectivos conselhos.

Uma conversa não compromete você a nada

A conversa de orientação é sem custo e com sigilo. Se o melhor caminho para o seu caso for a rede pública ou um grupo de apoio gratuito, é isso que vamos indicar.

Onde buscar ajuda gratuita. Os CAPS do SUS atendem transtornos aditivos gratuitamente — a UBS mais próxima informa o serviço de referência do seu município. O grupo Jogadores Anônimos (JA) é gratuito, com reuniões presenciais e on-line. Em risco imediato de vida, acione o SAMU 192; para apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas, o CVV 188.
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